
Fagner Roberto Sitta da Silva
Olho estarrecido para uma notícia que li num site sobre um biquíni de feito com 254 diamantes numa armação de platina e estimado em US$ 30 milhões... Mesmo que a modelo que exibe o biquíni seja, diga-se de passagem, muito linda (nessa parte não discutirei) isso não distrai o meu pensamento sobre outros assuntos tão antigos referentes à nossa “vil raça humana”.
Como que o ser humano em tão sã consciência – é o que pelo menos deveríamos ter – usa seus fabulosos inventos para criar uma peça tão cara, apesar de sua beleza indiscutível, enquanto há pessoas que morrem de fome pelos cantos desse nosso mundão de Deus.
Não estou querendo ser chato ao escrever isto – eu sou chato -, mas é que sempre vi a arte e a tecnologia como uma forma de elevar o ser humano, fazê-lo sair das trevas onde ele se encontra e, quem sabe, encontrar um pouco de luz, nem que seja uma de uma velha lamparina enferrujada que não ilumina nada, mas que combinaria com nossa posição.
Nessa ganância galopante que estamos vivendo acabamos passando por cima dos mais necessitados, e não digo de dinheiro, mas de dignidade, deveríamos pelo menos garantir que todo ser (não digo humano, pois fazemos parte da mesma família) pudessem nascer, viver e partir dignamente. Há tanta gente e tanto bicho nascendo no meio do lixo que jogamos, e também há um montão deles que morrem e se alimentam do mesmo lixo porque não possibilitamos oportunidade para todos eles.
Nos divertimos judiando somente de animais? E nisso colocaria incluso rodeios, caças e pescas predatórias, matança por diversão... Não!!! Nos divertimos judiando de pessoas que nem sabem que estão sendo levadas cada vez mais para baixo, lançadas no abismo da indigência, deixadas no fundo do poço, e sem corda (!) por pura e insana vontade de satisfazer prazeres. Assim deixamos que animais morram cobertos com petróleo e pessoas misturadas com o lixo que um dia as alimentou.
Poderíamos jogar essa culpa nas costas dos que vieram antes: Sim foram eles que não fizeram nada! Ou dizer que isso é bíblico, que a pobreza vem de há muito tempo, ou que “Deus quer que seja assim, que existam pobres ou ricos”. Tenho pavores e ataques de raiva (coisa que não gosto de ter e evito) quando ouço dizerem isso, pois sei que é uma maneira de nos eximir de tudo que acontece, deixar para o Onipotente resolver ao invés de arregaçarmos as mangas e fazermos nós mesmos o paraíso na Terra. Desde que nosso ancestral Adão descobriu-se nu não temos mais sossego, desde de Eva deixamos o Onipotente impotente por causa do livre-arbítrio.
Ah, mudar tudo isso é quase que impossível, seria a Utopia! – deve ter pensado o leitor. Na verdade, acho que estamos caminhando para isso, para utopia, mas no lombo de lentos burricos ou em cima de casinhas de lesmas, porém, estamos caminhando. Se pudermos reparar, atingimos um patamar tecnológico tão alto, nunca o havíamos alcançado, só que mesmo assim isso foi à custa de tantas guerras, de tanta morte. Hoje é inadmissível guerras, se ainda existem há forças de paz, pessoas que lutam para contê-las, acalmá-las. Não há como se ter mais os grandes impérios antigos que faziam de todos seus vassalos e escravos, vamos aos poucos depondo nossos ditadores. Vamos, aos poucos, em alguns lugares pingados do globo, criando ilhas de calmaria, solidariedade, respeito mútuo etc... Temos a faca e o queijo na mão, ou melhor, milhões de facas e queijos, só não nos alimentamos uns aos outros porque em algum lugar a corrente se quebra.
Podemos fazer com que terras antes improdutivas passem a ser um pedacinho do Jardim do Éden, onde tudo que se planta colhe – digo frutas, legumes e verduras, pois é imprescindível a questão do se pagar pelo que faz. Podemos fazer com gestos simples melhor a vida de outra pessoa, não é preciso muito dinheiro, muitas vezes nem é preciso utilizar o vil metal, pois o que é preciso é atingir em cheio e sanar de vez a necessidade. E há tanta necessidade de Amor, amor ao próximo.
Mas existe a fome na África!!! (pergunta-se de novo o leitor). Porém, a fome está bem perto de nossas casas: fome de carinho, de afeto, de atenção, de saber. Há tanta necessidade a ser socorrida e, por sermos brasileiros, podemos vê-las todos os dias em nossos telejornais. Pessoas morrem de fome no sertão do nordeste da mesma forma que se morre nos confins da África. Há necessidade de remédio para atender doentes da mesma forma que em algum lugar da Ásia. As pessoas que passam horas sozinhas por falta de atenção vivem os mesmos dramas de todas as espalhadas pelo globo terrestre porque faliu (um nunca foi erguido?!) esse castelo que chamamos carinhosamente de coração.
Fico a pensar se é mesmo preciso tanta correria, tanta vontade de juntar bens – fico a pensar porque da minha maneira também o faço – se muitas vezes nem percebemos àqueles que acabamos deixando para trás. Luta-se por empregos melhores, maiores colocações, mas esquecesse que para isso erguemos torres de derrotados como se erguem torres de impérios inteiros – o Tempo como sábio que é mostra que pela História tais torres não duraram muito.
Em nossa condição ‘humana’ vamos triunfantes arrastando nossos escravos, nossos mortos, oprimidos, desgraçados, mendigos por última escolha e saída para sobrevivência. Vamos olhando a miséria, a pobreza e todos outros males de longe, esquecendo que eles estão aqui aos nossos pés, porém, temos ferramentas para mudar um pouco a paisagem, não mudamos, pois pensamos: Quem mudaria a nossa, quem plainaria nos nossos caminhos?! Esperamos dos outros e assim vamos dando desculpas, ou concordando com tantas velhas saídas encontradas.
Não quero mudar o ser humano com este pequeno texto – nem sei se ele um dia será mudado por completo, outros maiores e mais dignos tentaram, mas não vou dizer que foi em vão, no entanto acho que o super-homem de Nietzsche ainda é um sonho distante. Também nem sei se o ser humano é digno de ser chamado de ‘homo sapiens’ que quer dizer em latim homem sábio ou homem racional (tá?!). Nessa parte também me incluo, sou feito do mesmo barro torpe que foi feita a raça humana, fui educado por ela, no entanto acho que é o dever de todos o não seguir o que é hoje ensinado de tão vazio, sórdido e mesquinho.
Claro que também não é nada fácil renegar tudo isso que temos hoje. Só que o mais importante é repensar no que estamos fazendo (ou deixando de fazer), a que fim isso nos levará. Se pegarmos as últimas notícias podermos ver que estamos caminhando para nossa própria extinção. É?!. Não pararam para ver que as mudanças climáticas estão cada vez maiores: furacões, calor, seca. Alguém diria: É o Apocalipse! Não, é a ganância humana em querer mais do que seu próprio planeta agüenta oferecer.
Ainda olho a peça em diamantes, a beleza da fêmea que o exibe é deslumbrante, mas se pegarmos para olhar ao fundo a razão pela qual aquela peça foi forjada veríamos que tudo isso seria apenas beleza, busca insana que não atingiria o Belo. Seria apenas tentativa vazia de se preencher ego. Enquanto vejo essa jóia e escrevo esse texto ou o leitor o lê nesse momento em algum lugar alguém morre de fome ou desamparado, seja numa favela do Rio de Janeiro ou na Somália; alguma árvore é cortada na Amazônia ou em Angola; algum rio da Europa ou do Brasil recebe dejetos químicos e uma espécie animal no Pantanal ou na Ásia está mais perto de deixar de existir, outra já se foi sem que ao menos pudéssemos saber de sua existência.
Não quero, e que fique bem claro, falar que o Homem não criou coisas úteis: máquinas, computadores, pontes, navios, aviões, espaçonaves. Não quero negar nossa inteligência ao desvendar os segredos da matéria, em descobrir o átomo, o rádio, o poder de certos elementos como o urânio ou na invenção de vacinas. Mas qual é o fim de tudo isso? Tudo isso foi inventado e descoberto para elevar o ser humano, tirá-lo da escuridão da ignorância ou para separá-lo por abismos de indigência? Se pararmos para pensar, ainda não atingimos em todo a condição de ‘homo sapiens’.
Como que o ser humano em tão sã consciência – é o que pelo menos deveríamos ter – usa seus fabulosos inventos para criar uma peça tão cara, apesar de sua beleza indiscutível, enquanto há pessoas que morrem de fome pelos cantos desse nosso mundão de Deus.
Não estou querendo ser chato ao escrever isto – eu sou chato -, mas é que sempre vi a arte e a tecnologia como uma forma de elevar o ser humano, fazê-lo sair das trevas onde ele se encontra e, quem sabe, encontrar um pouco de luz, nem que seja uma de uma velha lamparina enferrujada que não ilumina nada, mas que combinaria com nossa posição.
Nessa ganância galopante que estamos vivendo acabamos passando por cima dos mais necessitados, e não digo de dinheiro, mas de dignidade, deveríamos pelo menos garantir que todo ser (não digo humano, pois fazemos parte da mesma família) pudessem nascer, viver e partir dignamente. Há tanta gente e tanto bicho nascendo no meio do lixo que jogamos, e também há um montão deles que morrem e se alimentam do mesmo lixo porque não possibilitamos oportunidade para todos eles.
Nos divertimos judiando somente de animais? E nisso colocaria incluso rodeios, caças e pescas predatórias, matança por diversão... Não!!! Nos divertimos judiando de pessoas que nem sabem que estão sendo levadas cada vez mais para baixo, lançadas no abismo da indigência, deixadas no fundo do poço, e sem corda (!) por pura e insana vontade de satisfazer prazeres. Assim deixamos que animais morram cobertos com petróleo e pessoas misturadas com o lixo que um dia as alimentou.
Poderíamos jogar essa culpa nas costas dos que vieram antes: Sim foram eles que não fizeram nada! Ou dizer que isso é bíblico, que a pobreza vem de há muito tempo, ou que “Deus quer que seja assim, que existam pobres ou ricos”. Tenho pavores e ataques de raiva (coisa que não gosto de ter e evito) quando ouço dizerem isso, pois sei que é uma maneira de nos eximir de tudo que acontece, deixar para o Onipotente resolver ao invés de arregaçarmos as mangas e fazermos nós mesmos o paraíso na Terra. Desde que nosso ancestral Adão descobriu-se nu não temos mais sossego, desde de Eva deixamos o Onipotente impotente por causa do livre-arbítrio.
Ah, mudar tudo isso é quase que impossível, seria a Utopia! – deve ter pensado o leitor. Na verdade, acho que estamos caminhando para isso, para utopia, mas no lombo de lentos burricos ou em cima de casinhas de lesmas, porém, estamos caminhando. Se pudermos reparar, atingimos um patamar tecnológico tão alto, nunca o havíamos alcançado, só que mesmo assim isso foi à custa de tantas guerras, de tanta morte. Hoje é inadmissível guerras, se ainda existem há forças de paz, pessoas que lutam para contê-las, acalmá-las. Não há como se ter mais os grandes impérios antigos que faziam de todos seus vassalos e escravos, vamos aos poucos depondo nossos ditadores. Vamos, aos poucos, em alguns lugares pingados do globo, criando ilhas de calmaria, solidariedade, respeito mútuo etc... Temos a faca e o queijo na mão, ou melhor, milhões de facas e queijos, só não nos alimentamos uns aos outros porque em algum lugar a corrente se quebra.
Podemos fazer com que terras antes improdutivas passem a ser um pedacinho do Jardim do Éden, onde tudo que se planta colhe – digo frutas, legumes e verduras, pois é imprescindível a questão do se pagar pelo que faz. Podemos fazer com gestos simples melhor a vida de outra pessoa, não é preciso muito dinheiro, muitas vezes nem é preciso utilizar o vil metal, pois o que é preciso é atingir em cheio e sanar de vez a necessidade. E há tanta necessidade de Amor, amor ao próximo.
Mas existe a fome na África!!! (pergunta-se de novo o leitor). Porém, a fome está bem perto de nossas casas: fome de carinho, de afeto, de atenção, de saber. Há tanta necessidade a ser socorrida e, por sermos brasileiros, podemos vê-las todos os dias em nossos telejornais. Pessoas morrem de fome no sertão do nordeste da mesma forma que se morre nos confins da África. Há necessidade de remédio para atender doentes da mesma forma que em algum lugar da Ásia. As pessoas que passam horas sozinhas por falta de atenção vivem os mesmos dramas de todas as espalhadas pelo globo terrestre porque faliu (um nunca foi erguido?!) esse castelo que chamamos carinhosamente de coração.
Fico a pensar se é mesmo preciso tanta correria, tanta vontade de juntar bens – fico a pensar porque da minha maneira também o faço – se muitas vezes nem percebemos àqueles que acabamos deixando para trás. Luta-se por empregos melhores, maiores colocações, mas esquecesse que para isso erguemos torres de derrotados como se erguem torres de impérios inteiros – o Tempo como sábio que é mostra que pela História tais torres não duraram muito.
Em nossa condição ‘humana’ vamos triunfantes arrastando nossos escravos, nossos mortos, oprimidos, desgraçados, mendigos por última escolha e saída para sobrevivência. Vamos olhando a miséria, a pobreza e todos outros males de longe, esquecendo que eles estão aqui aos nossos pés, porém, temos ferramentas para mudar um pouco a paisagem, não mudamos, pois pensamos: Quem mudaria a nossa, quem plainaria nos nossos caminhos?! Esperamos dos outros e assim vamos dando desculpas, ou concordando com tantas velhas saídas encontradas.
Não quero mudar o ser humano com este pequeno texto – nem sei se ele um dia será mudado por completo, outros maiores e mais dignos tentaram, mas não vou dizer que foi em vão, no entanto acho que o super-homem de Nietzsche ainda é um sonho distante. Também nem sei se o ser humano é digno de ser chamado de ‘homo sapiens’ que quer dizer em latim homem sábio ou homem racional (tá?!). Nessa parte também me incluo, sou feito do mesmo barro torpe que foi feita a raça humana, fui educado por ela, no entanto acho que é o dever de todos o não seguir o que é hoje ensinado de tão vazio, sórdido e mesquinho.
Claro que também não é nada fácil renegar tudo isso que temos hoje. Só que o mais importante é repensar no que estamos fazendo (ou deixando de fazer), a que fim isso nos levará. Se pegarmos as últimas notícias podermos ver que estamos caminhando para nossa própria extinção. É?!. Não pararam para ver que as mudanças climáticas estão cada vez maiores: furacões, calor, seca. Alguém diria: É o Apocalipse! Não, é a ganância humana em querer mais do que seu próprio planeta agüenta oferecer.
Ainda olho a peça em diamantes, a beleza da fêmea que o exibe é deslumbrante, mas se pegarmos para olhar ao fundo a razão pela qual aquela peça foi forjada veríamos que tudo isso seria apenas beleza, busca insana que não atingiria o Belo. Seria apenas tentativa vazia de se preencher ego. Enquanto vejo essa jóia e escrevo esse texto ou o leitor o lê nesse momento em algum lugar alguém morre de fome ou desamparado, seja numa favela do Rio de Janeiro ou na Somália; alguma árvore é cortada na Amazônia ou em Angola; algum rio da Europa ou do Brasil recebe dejetos químicos e uma espécie animal no Pantanal ou na Ásia está mais perto de deixar de existir, outra já se foi sem que ao menos pudéssemos saber de sua existência.
Não quero, e que fique bem claro, falar que o Homem não criou coisas úteis: máquinas, computadores, pontes, navios, aviões, espaçonaves. Não quero negar nossa inteligência ao desvendar os segredos da matéria, em descobrir o átomo, o rádio, o poder de certos elementos como o urânio ou na invenção de vacinas. Mas qual é o fim de tudo isso? Tudo isso foi inventado e descoberto para elevar o ser humano, tirá-lo da escuridão da ignorância ou para separá-lo por abismos de indigência? Se pararmos para pensar, ainda não atingimos em todo a condição de ‘homo sapiens’.



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