
Apreciar a obra de um poeta é sempre melhor quando podemos de alguma forma conhecer o autor.
Não digo conhecer a fundo porque apenas tive o privilégio de trocar alguns e-mails com o grande poeta de Piracicaba, um dos grandes Príncipes da Poesia deste país, quando este pobre aprendiz de poeta mandou seus sonetos para que o grande bardo pudesse opinar sobre eles.
E o bardo mandou a sua resposta sobre a poesia do aprendiz, assim como Bandeira e Drummond fizeram com Affonso Romano de Sant'Ana.
No entanto, estes poucos contatos bastaram para que a admiração continuasse ainda maior e a procura pelo trabalho do poeta fosse ainda mais constante.
Falo de Lino Vitti, um dos grandes poetas deste nosso Brasil, e que do interior de São Paulo espalha seu canto. Lino era grande amigo de outro poeta que não tive o privilégio de conhecer, Cesarino Avino Sêga (1906-1991), poeta que morou em minha cidade.
E para lembrar o poeta Lino Vitti, deixo aqui, aproveitando esta época de floradas do inverno que se aproxima, seu magnífico soneto: Ipê Amarelo.
Ipê Amarelo
Lino Vitti (1920 - )
Ontem, galhos desnudos, onde o vento
desferia diabruras musicais.
Esqueleto infeliz, sólio bulhento
de uma chusma chilreante de pardais.
Mas hoje, que milagre, que portento!
De certo são os raios matinais
do sol que num feliz deslumbramento
se fixaram nos galhos fantasmais.
De certo que as estrelas do infinito
estão ali espetadas em rosários,
são culpadas de quadro tão bonito !
E a árvore - ontem pobre - hoje é um tesouro
exibindo vestidos milionários
e casquinando gargalhadas de ouro.